A pandemia de Covid-19 não foi a primeira da história e, ao que tudo indica, infelizmente também não será a última.
No século 14, a pandemia da Peste Negra, ou Peste Bubônica, exterminou cerca de 75 a 200 milhões de pessoas na Europa e na Ásia, segundo registros históricos. A doença era causada pela bactéria Yersina Pestis, que infecta pulgas e roedores que, naquela época, eram abundantes em todo o continente, e se espalharam através dos navios, já que a higiene nas embarcações era precária. Os principais sintomas da Peste Bubônica eram: dor de cabeça, febre, calafrios e inchaços, além das dores musculares e fadiga.
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Uniforme preservado dos médicos da peste bubônica. (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons/Anagoria)
Historiadores afirmam que a pandemia de peste bubônica pode ter dizimado milhões de pessoas, diminuindo a população mundial de 450 a 350 milhões. A única maneira de refrear a contaminação da doença era, assim como foi na pandemia de COVID-19, o isolamento total e extermínio dos ratos. Entretanto, na idade média, os predadores naturais dos ratos - os gatos -, eram associados às bruxas, e queimados junto com suas donas nas piras organizadas pela inquisição, em ordem assinada pelo Papa Gregório IX. Em uma análise semiótica mais profunda, podemos fazer uma ligação entre estas ocorrências e o negacionismo em relação às vacinas.
De acordo com o professor Thiago Souza, os contágios com a peste negra só cessaram após a implementação de medidas de higiene, construção de hospitais do lado de fora das muralhas que delimitaram as cidades e a incineração dos mortos. Entretanto, ainda segundo o professor, foram registrados surtos da doença em todo o mundo até o começo do século XX.
A Peste Bubônica não foi a única antecedente da pandemia de COVID. A Revista Galileu cita a Varíola, a Cólera, a Gripe Espanhola e o surto de H1N1 como sendo algumas das mais impactantes da história.
A Varíola assolou a população de todo o mundo por mais de 3 mil anos. Historiadores afirmam que o faraó egípcio Ramsés II, o rei Luís XV e a rainha Maria II, da Inglaterra, tiveram a temida doença. O Orthopoxvírus variolae era um vírus transmitido de pessoa para pessoa, transmissível pelo ar, assim como o Sars-Cov-2. O vírus só foi considerado extinto em 1980, durante a 33ª Assembleia Mundial da Saúde, segundo a professora Vanessa Sardinha dos Santos.
A Cólera, no entanto, teve mais de uma epidemia global. A primeira, em 1817, ceifou centenas de milhares de vidas, segundo registros históricos. Entretanto, por sofrer diversas e constantes mutações, a bactéria Vibrio cholerae ainda é considerada como uma pandemia, já que o planeta ainda sofre com os impactos da cólera de tempos em tempos.
A transmissão da Cólera acontece, segundo o Ministério da Saúde Brasileiro, pela ingestão de água ou alimentos contaminados. A ingestão de mariscos, crustáceos e moluscos, peixes e algas, entre outros seres de vida marinha, também podem ocasionar a transmissão da Vibrio cholerae.
A Gripe Espanhola é um dos eventos mais lembrados em se tratando de pandemia. Historiadores acreditam que a doença tenha causado cerca de 50 milhões de mortes em todo o planeta. Na época, era comum famílias inteiras (incluindo animais de estimação) utilizarem máscaras de proteção facial, bastante parecidas com as utilizadas na pandemia de COVID-19.
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Família e seus animais durante a gripe espanhola em 1918. Todos usam máscara. (Foto: Autor Desconhecido) |
A doença chegou ao Brasil a bordo do navio europeu Demerara, que desembarcou pessoas infectadas no Rio de Janeiro, em Salvador e no Recife. No ano de 1919, o então presidente do Brasil, Rodrigues Alves, contraiu a doença e acabou falecendo.
O professor Daniel Neves explica o surgimento da doença que contaminou centenas de milhares de pessoas: "Infelizmente, os historiadores e os cientistas não possuem informações suficientes que lhes permitam apontar o local exato do surgimento dessa doença. Ainda assim, existem algumas teorias a respeito dos prováveis locais nos quais a gripe espanhola possa ter surgido: Estados Unidos, China e Reino Unido.
A teoria mais aceita pelos estudiosos do assunto é de que a gripe espanhola teria surgido em campos de treinamento militar nos Estados Unidos. Isso porque os primeiros casos da doença também foram registrados lá. Esses casos aconteceram em trabalhadores de uma fábrica em Detroit e em soldados instalados em um campo militar no estado do Kansas."
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Jornal do Recife com manchete sobre a chegada do Demerara ao Brasil. (Fonte: Biblioteca Nacional) |
A variante do vírus da Influenza denominada H1N1 foi a primeira a causar uma pandemia no século XXI, e aconteceu no ano de 2009. De acordo com o portal Dráuzio Varella, em artigo publicado por Maria Helena Varella Bruna, seus sintomas incluem febre alta e repentina, tosse, coriza e vômitos. Este vírus pode contaminar não apenas humanos, mas porcos e aves também. Estas últimas são grandes responsáveis pelo aparecimento de novas cepas, já que a contaminação em aves pode aumentar a chance de mutações genéticas.
O vírus da H1N1 é a quarta geração do vírus que ocasionou a Gripe Espanhola, afirma o Dr. Dráuzio Varella. O Brasil, sob governo do então presidente Luís Inácio Lula da Silva, implementou medidas de segurança, como o uso e distribuição de álcool em gel nas escolas e creches e ampla disseminação de informações em relação à prevenção da doença.
Atualmente, já existem vacinas capazes de prevenir a contaminação pelo vírus causador da gripe H1N1, assim como os imunizantes criados para a prevenção do vírus causador da COVID-19.
RODRIGUES, Letícia. "Conheça as 5
maiores pandemias da História". Disponível em
https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2020/03/conheca-5-maiores-pandemias-da-historia.html.
Acesso em 04 de novembro de 2022.
TAMANINI, Maria. “Você sabe em que consistia o uniforme que os médicos da peste negra usavam?”. Disponível em https://www.megacurioso.com.br/educacao/110800-voce-sabe-em-que-consistia-o-uniforme-que-os-medicos-da-peste-negra-usavam.htm. Acesso em 04 de novembro de 2022.
SOUZA, Thiago. “Peste negra: o que foi, resumo, sintomas e origem”. disponível em https://www.todamateria.com.br/peste-negra/#:~:text=A%20peste%20negra%20foi%20uma,pelo%20contato%20com%20outro%20contaminado.. Acesso em 04 de novembro de 2022.
SANTOS, Vanessa Sardinha dos. "Varíola"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/doencas/variola.htm. Acesso em 02 de novembro de 2022.
SILVA, Daniel Neves. "Gripe espanhola"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/i-guerra-mundial-gripe-espanhola-inimigos-visiveis-invisiveis.htm. Acesso em 04 de novembro de 2022.
VARELLA, Dráuzio. “A gripe que não tem fim”. Disponível em https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/a-gripe-que-nao-tem-fim-artigo/. Acesso em 04 de novembro de 2022.
BRUNA, Maria Helena Varella. “Gripe H1N1 (gripe suína)”. Disponiível em https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/gripe-h1n1-gripe-suina/. Acesso em 04 de novembro de 2022.



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